Rally (WRC – World Rally Championship)

Rally (WRC – World Rally Championship)

O rally é um tipo de prova automobilística caracterizado pelas derrapagens, sendo que as mesmas são provocadas pela alta velocidade com que os automóveis abordam as curvas. Cabe por isso aos pilotos e co-pilotos manterem o automóvel dentro de controlo quando este “aparenta” perder o controlo. As suas provas são geralmente realizadas em estradas de terra, asfalto ou gelo.

O campeonato WRC (World Rally Championship) consiste num conjunto de etapas/provas realizadas anualmente em diferentes pontos do planeta. Todos os anos existem alterações às etapas que participarão na competição, sendo que os países mais comuns são: Argentina; Austrália; Chipre; Espanha; Finlândia; Grã-Bretanha; Grécia; Irlanda; Itália; Mónaco; Noruega; Nova Zelândia; Polónia e Portugal. Sendo que no ano de 2009 as etapas foram reduzidas para apenas 12.

Cada etapa é composta por uma série de especiais, normalmente entre 15 a 25, realizadas num período de 3 dias. Aqui também costumam ocorrer as super-especiais, tratando-se, geralmente, de pistas propositadamente criadas no interior de recintos (normalmente estádios). Estas tratam-se das únicas situações em que 2 pilotos podem ter a emoção/adrenalina de competirem “lado a lado”, sendo que mesmo assim não existe risco de contacto entre ambos, pois circulam num circuito de 2 vias separadas. As super-especiais são por isso as provas que mais furor causam nos espectadores.

No WRC o mais importante não é ser o primeiro a alcançar a meta, mas sim perfazer os percursos no menor tempo possível, pois não existe competição directa entre os pilotos. As especiais tratam-se de provas cronometradas, por isso, a equipa que conseguir no final da etapa o menor tempo é considerada a vencedora. O principal motivo para não haver disputa directa deve-se a questões de segurança, pois os automóveis de rally percorrem estradas públicas que não apresentam as mesmas condições que uma pista de automobilismo. Por isso, os automóveis saem desfasados uns dos outros num período que varia entre 1 e 2 minutos. A ordem de saída é feita do primeiro até o último lugar, desta forma, o primeiro piloto a abrir a pista trata-se do piloto que vai à frente da etapa.

Em competição existe o campeonato de pilotos e o campeonato de produtores. Mas apesar de a atribuição de pontos ser realizada da mesma forma para ambos, tratam-se de 2 campeonatos distintos. Os pilotos/marcas são pontuados do 1º até ao 8º lugar com a seguinte pontuação: 1º - 10; 2º - 8; 3º - 6; 4º - 5; 5º - 4; 6º - 3; 7º - 2; 8º - 1. Sendo que por equipa apenas 2 pilotos estão habilitados a pontuar.

O WRC contém uma forma muito rigorosa de controlar os tempos, se os pilotos se atrasarem ou adiantarem para as provas são penalizados com acréscimo de tempo ao seu tempo global. Se por ventura esses tempos forem demasiado elevados, podem mesmo chegar a ser excluídos do rally.

Em rally os automóveis são compostos por uma equipa piloto/co-piloto. O piloto é responsável por conduzir o automóvel e o co-piloto o responsável por fornecer os dados necessários ao piloto para poder abordar o percurso da melhor forma. Um co-piloto fornece informações cruciais em tempo real acerca das pistas, tais como: obstáculos, o ângulo das curvas, entre outros. É por isso muito importante que o piloto e o co-piloto formem uma boa equipa para que ambos possam vencer.

História

Pode-se dizer que o rally teve origem nos finais do século XIX, assim que se deu a invenção do automóvel. Desde logo, começaram-se a realizar provas inter-cidades, sendo comum em todas elas a partida a partir da cidade de Paris, não fosse a França um dos países que mais contribuiu para a evolução do automóvel. É certo que as primeiras provas tratavam-se mais de provas de “endurance” ao invés de provas de velocidade, visto que as estradas da altura eram feitas para andar a cavalo e não de automóvel. Por esse motivo alcançar a meta, era uma missão quase impossível.

À medida que os automóveis foram evoluindo, os rallies acompanharam essa evolução. Começando a realizar-se diversos campeonatos por vários pontos do mundo, normalmente, organizados pelo Automóvel Clube do país em questão.

As provas de rally vieram dar origem a um conjunto de campeonatos, o European Rally Championship e o International Championship for Manufacturers que entretanto se fundiram e deram origem ao conhecido campeonato WRC. A sua prova inaugural realizou-se em 1973 com a mítica prova: Monte Carlo Rally. Nesse ano a Alpine-Renault sagrou-se vencedora do campeonato de construtores, já nos 3 anos seguintes a Lancia dominou com o Lancia Stratos, o primeiro automóvel a ser produzido com o objectivo de ingressar nas provas de rally.

No início das competições de rally eram utilizados automóveis com tracção traseira. A partir de 1979 foi permitida a utilização de tracção integral, mas apesar de esta já estar legalizada os construtores consideravam que o excesso de peso que a tracção integral acarretava não compensaria as vantagens da sua utilização. Em oposição a esta ideia surgiu a Audi com o Audi Quattro, um modelo de elevada potência que incorporava tracção integral. Devido à tracção integral era possível colocar mais potência em pista e dessa forma a Audi adquiriu desde logo uma larga vantagem para os restantes competidores.

O aparecimento de automóveis de elevada potência e tracção integral originou a criação do grupo B em 1982, grupo que veio substituir o grupo 4. O grupo B não exigia tantas unidades para homologação e praticamente não impunha limitações aos automóveis. Por esse motivo o grupo B tornou-se no grupo mais conhecido em toda a história dos campeonatos de rally. Este grupo foi um dos principais impulsionadores da prova e conquistou milhares de adeptos em todo o mundo, ficando conhecido pelas “máquinas” de grande cilindrada, elevada potência e de design arrojado que nele competiram.

Em Maio de 1986 o piloto Henri Toivonen e seu co-piloto Sergio Cresto sofrem um acidente mortal após o seu Lancia Delta S4 ter-se despistado e caído numa ravina, incendiando-se de seguida. Esse acidente acumulado ao que ocorrera no rally de Portugal na Lagoa Azul em que após um despiste do piloto Joaquim Santos com um Ford RS200, originou a morte de 3 espectadores e o ferimento de 31 outros, acabou por levar à extinção do grupo B e ao cancelamento do grupo S (grupo que ainda se encontrava em desenvolvimento) em 1987.

Após a retirada do Grupo B, o grupo A passou a ser o standard do WRC. Aqui a Lancia foi a 1ª a adaptar-se às novas regras, conseguindo 6 vitórias seguidas entre 1987 e 1992 com o Lancia Delta Integrale. Mas este grupo não apresentava a espectacularidade do Grupo B e, por isso, houve a necessidade de criar um novo grupo onde pudessem competir automóveis de elevada potência e linhas mais ousadas, esse grupo veio a chamar-se WRC (World Rally Cars).

Ao longo dos campeonatos de rally pode-se fazer referência aos míticos automóveis que neles competiram, tais como: Alpine A110, Lancia Stratos HF, Audi Sport Quattro, Lancia Rally 037, Peugeot 205 Turbo 16, Lancia Delta Integrale, Toyota Celica Turbo 4WD, Subaru Impreza WRC, Mitsubishi Lancer Evolution, Toyota Corolla WRC, Peugeot 206 WRC, Citroën Xsara WRC, entre outros.

Grupos

O WRC (World Rally Championship) é constituído por uma variedade de grupos/categorias que distinguem os automóveis que nele participam. Inicialmente o WRC começou com os grupos 2 e 4, vindo estes a serem substituídos ao longo dos anos.

  • Grupo 2 – No grupo 2 eram incluídos os automóveis de turismo que mantinham a mesma base que os automóveis de série, sofrendo apenas algumas alterações. Para se poder homologar um automóvel para o grupo 2 era necessário que os construtores produzissem pelo menos 1000 unidades de cada modelo.
  • Grupo 4 – Neste grupo eram inseridos os automóveis alterados de Gran Turismo, sendo por isso o grupo com maior competitividade. Em 1976 a FIA reduz o número de unidades produzidas de 500 para 400 facilitando assim a sua homologação.
  • Grupo N – O grupo N foi criado em 1982 com o objectivo de substituir o antigo grupo 1. Neste grupo devem ser utilizados automóveis que estejam praticamente iguais aos de produção, ou seja, não podem sofrer alterações estéticas, mas devem ser instalados medidas de segurança como roll-bar, entre outros; podem também ser utilizados motores com turbo e outras pequenas mudanças na mecânica e suspensão. Uma das exigências base é que devem ser produzidas 2500 unidades por ano do modelo em questão. A partir de 2002 os automóveis deste grupo passaram a competir no campeonato P-WRC (Production Car World Rally Championship).
  • Grupo A – Criado em 1982 o grupo A veio substituir o grupo 2 e, como tal, neste grupo são inseridos os automóveis de produção alterados. Os automóveis devem possuir as mesmas dimensões e configurações estéticas de série, podendo apenas realizar-se preparações a nível do motor (excepto aumentar a cilindrada), mecânica e suspensão. Assim os automóveis neste grupo estão limitados pela potência, peso, tecnologia e custo global da preparação. Para se poder homologar um automóvel neste grupo é necessário produzir 2500 unidades de cada modelo (anteriormente 5000 unidades).
  • Grupo B – Em 1982 nasce o grupo que mais marcou o WRC, neste grupo eram inseridos os automóveis desportivos alterados. Ao contrário dos restantes grupos, o grupo B praticamente não possuía restrições, permitindo aos construtores levarem os automóveis ao seu limite. Para se homologar um automóvel para o grupo B era necessário produzir 200 unidades do modelo em questão e apenas 20 para lançar uma versão evoluída do modelo base. O grupo B foi cancelado em 1987 após uma série de acidentes fatais.
  • Grupo S – Este grupo surgiu como um desenvolvimento do grupo B. Devido ao excesso de tecnologia que se começava a utilizar no grupo B foi necessário proceder à criação de um novo grupo onde se pudesse lançar carros inovadores e futuristas. A sua homologação apenas requeria a produção de 10 unidades. Mesmo antes de o grupo entrar em competição, altura em que havia já alguns modelos em desenvolvimento, foi cancelado em 1987 juntamente com o grupo B.
  • World Rally Cars – Em 1997 é criado o grupo World Rally Car, este surgiu como uma evolução do grupo A, sendo este um grupo muito semelhante ao antigo grupo B. Os automóveis utilizados devem utilizar motor turbo com 2000 cc de 4 cilindros e 4 válvulas por cilindro. Eles também devem possuir tracção integral, assim como comprimento e peso mínimo de 4 metros e 1230 kg, respectivamente.
    Devem ser produzidas 2500 unidades sendo que o modelo base não é obrigado a possuir características de rally.
  • Super 2000 – Em 2007 é criado o S2000, este é um grupo muito idêntico ao grupo N. Este grupo distingue-se desde logo pela ausência de motores com turbo, para isso foi permitido reduzir o peso, de forma a aumentar a performance. Os automóveis apenas podem ter tracção a 2 rodas e como o nome indica apenas se pode utilizar motores com 2000 cc no máximo.
  • Super 1600 – geralmente utilizam-se estes automóveis nos campeonatos de J-WRC (Junior World Rally Championship). Estes automóveis devem possuir tracção frontal e um motor de 4 cilindros com cilindrada até 1640 cc. Tal como nos S2000 os S1600 não devem possuir turbo e após a alteração do motor não deve possuir mais de 230 cv de potência e deve ter um peso mínimo de 980 kg.

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